Como a gestão da operadora deve se preparar para um possível agravo na pandemia

Em um cenário de aumento abrupto dos casos confirmados de Covid-19 e da retomada dos procedimentos eletivos, é preciso usar cada vez mais a tecnologia para ser eficiente na gestão

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Embora a imunização contra a Covid-19 avance no Brasil e a cobertura vacinal (duas doses) chegue a 70% da população, novas variantes, como a ômicron, fazem com que se mantenha um sinal de alerta no setor de Saúde, já que provocam saltos de demanda na cadeia de suprimentos.   

A gestão da operadora é impactada de diversas formas, a começar pela alta procura por assistência emergencial online, como conta Raquel Imbassahy, diretora de Gestão de Saúde Populacional da SulAmérica. “Nós tivemos um aumento de 600% em nossa demanda diária de atendimento via telemedicina. Por conta disso, ampliamos nossos serviços e reforçamos as equipes de profissionais de saúde para suprir essa demanda por assistência.”   

Mas não são apenas os casos de Covid-19 que exigem mais eficiência da operadora neste momento. Após dois anos de pandemia, é preciso pensar também em uma gestão acurada em outras pontas, como a dos procedimentos eletivos, lembra Octavio Cazonato Neto, CIO da Operadora Transmontano. “No início da pandemia, em março de 2020, a gestão da operadora precisou deixar de prestar atendimentos eletivos para conseguir atender à alta demanda de leitos de UTI que a Covid-19 exigiu. Mas, agora, com todas essas cirurgias e procedimentos represados no sistema, não é mais possível nem benéfico adiá-los. É preciso dar vazão com um atendimento médico eficaz.   

Como ficam os atendimentos? 

Nesta que vem sendo chamada de terceira onda da pandemia, a orientação dos órgãos de Saúde mundiais e nacionais permanece sendo o reforço das medidas preventivas, como uso de máscaras, distanciamento social e higienização constante das mãos. Diferente do começo da pandemia é o momento em que o beneficiário deve se dirigir ao hospital: apenas em casos de sintomas mais severos, como dificuldade para respirar, febre alta e quadros de diarreia grave.  

Por isso, a gestão da operadora se esforça para garantir um atendimento assistencial de alta qualidade e apoio ao beneficiário a distância. E faz isso com o uso da tecnologia, como descreve Raquel. “Entre os serviços oferecidos pela nossa operadora estão a Orientação Médica Telefônica (OMT), que oferece apoio e acolhimento anterior à consulta médica por meio do contato telefônico, além de teleconsultas com especialistas e com médicos plantonistas, para pronto-atendimento.” 

As vantagens da adoção da telemedicina para a gestão da operadora: 

  1. Redução de tempo e de custos 
  2. Ampliação da atuação médica com acesso rápido a especialistas 
  3. Alcance maior no número de beneficiários atendidos 
  4. Ajuste do gerenciamento dos recursos de Saúde. 

Além da disponibilidade constante, programas que prezam pelo cuidado integral e resgatam o chamado médico da família estão sendo aplicados com sucesso pelas operadoras, para que elas consigam acompanhar de perto o beneficiário e fornecer acesso ao sistema, sempre que necessário. Na SulAmérica, a tecnologia é aliada.   

“Antes da pandemia, nós já oferecíamos serviços de telemedicina, pois sabíamos o potencial  que hoje todos enxergam. E essa tecnologia teve papel fundamental para conseguirmos manter os atendimentos na pandemia: foi mais de 1 milhão de teleatendimentos em 2021. E a ampliação de acesso aos nossos serviços de Saúde e atendimento, centrado no beneficiário, foram as prioridades para a companhia e vão continuar sendo mesmo com a chegada de novas variantes”, afirma a diretora.   

Já Octavio Cazonato Neto, da Transmontano, conta que a operadora só adotou a telemedicina após o início da pandemia e hoje já atende entre 13 e 14 mil consultas ao mês. “Nosso atendimento hoje em dia é híbrido, com o uso da telemedicina focado em algumas especialidades e/ou na consulta de apresentação dos resultados de exames, sendo uma ótima ferramenta de retaguarda.”   

A tecnologia como apoio 

Não foi apenas a telemedicina que trouxe apoio às operadoras de Saúde neste momento delicado. Outras inovações permitiram resposta ao alto volume de demandas, como explica Raquel Imbassahy, da SulAmérica. “Temos hoje o chatbot de triagem para Covid-19, o Fast track com hospitais parceiros e ligações via Inteligência Artificial para pais e responsáveis por menores que foram ao Pronto Atendimento.”   

Além disso, na área de backoffice, a análise de indicadores de novas variantes e estudos de aumento de demanda ajudam a monitorar os estoques de medicamentos e outros insumos para que a gestão da operadora possa atuar com tranquilidade, como enfatiza Cazonato Neto: “Para fazer um bom planejamento, nós avaliamos nossa própria carteira e projetamos os casos possíveis a partir dos dados de contágio que a OMS traz. Assim temos uma projeção de quantas pessoas vão procurar atendimento por causa da Covid-19, lembrando sempre que os casos não acontecem ao mesmo tempo e que dá, sim, para fazer um estudo e encontrar uma média projetada para que seja possível atender a todos.”  

Em busca de um modelo mais sustentável  

A pandemia desafiou a gestão da Saúde de forma inimaginável e foi preciso repensar o modelo de negócio para que ele pudesse ser mais sustentável e eficiente. Para Raquel, além dos investimentos constantes em gestão de saúde populacional e eficiência operacional, é preciso adotar melhores práticas de gestão de custos, como a de compra de materiais médico-hospitalares e medicamentos diretamente dos fabricantes. “Medidas como essas colaboram para manter um modelo mais sustentável, mesmo em um contexto de crise.  Especialmente quando há uma participação ativa de todas as partes envolvidas na Saúde Suplementar, como operadoras, médicos, hospitais, clínicas, laboratórios e beneficiários.”   

Cazonato Neto resume a busca pela sustentabilidade em ações que todas as operadoras devem buscar: ter boas tecnologias, controlar bem a alta dos custos, ofertar novos produtos dando acolhimento ao beneficiário e oferecendo, sempre que possível, uma medicina preventiva.    

Outro ponto importante a ser adotado pelas instituições é o estímulo ao uso racional do plano. Se os atendimentos estão represados e o não uso dos serviços pode acarretar numa piora no quadro de saúde dos beneficiários, cabe à operadora “inverter a lógica” e, ativamente, criar um plano para antecipar e organizar as demandas assistenciais.

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