Radiologia Digital: da modelagem 3D à realidade virtual

A tecnologia na medicina diagnóstica por imagem avança para uma experiência digital cada vez mais próxima da realidade, tanto para o treinamento médico, quanto para apoio a pacientes

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As tecnologias de inteligência artificial e modelagem 3D, que tanto colaboraram para a construção da radiologia digital, abriram espaço, agora, para a realidade virtual, que está chegando com tudo à medicina diagnóstica por imagem.

Como aconteceu com tecnologias de ponta anteriores, as promessas para o uso da RV são robustas e podem se tornar rapidamente relevantes quanto ao monitoramento, bem-estar e preparo dos médicos radiologistas, segundo Gabriel Cavalcanti, titular da cadeira de VR no

MBA em Health Tech do Centro Universitário FIAP: “Temos algumas situações interessantes que a realidade virtual pode trazer como benefícios: uma delas é servir como treinamento para médicos que ainda estão em formação, pois certamente é melhor que primeiro treinem em um ambiente virtual e com condições hiper-realistas para depois partirem para o atendimento supervisionado a pacientes reais.”

Outro ponto, elencado por Cavalcanti, é que a realidade virtual também pode ser usada para o bem-estar de pacientes, oferecendo experiências lúdicas para que superem medos (como medo de injeção, por exemplo) ou terapias para ajudá-las no cuidado a doenças crônicas. “Pode-se pensar ainda em experiências de relaxamento mental para pacientes que estão sofrendo alto nível de estresse, tornando o tratamento muito mais humanizado”, sugere o professor.

Realidade virtual é segura?

Como qualquer nova tecnologia adotada, as repercussões podem ser boas ou ruins, dependendo do uso destinado. “Imagine, por exemplo, um cenário no qual um paciente utilize um app de realidade virtual para fazer exercícios físicos ou fisioterapia sem a devida orientação de um profissional e acabe adquirindo ou agravando uma lesão por conta da utilização de realidade virtual?”, especula Cavalcanti.

Com a expansão da tecnologia, especialmente em um cenário pós-pandemia, as discussões regulatórias e éticas para as boas práticas de uso devem começar a fazer esses questionamentos e garantir a segurança de pacientes e profissionais da Saúde.

Estes últimos, aliás, embora demonstrem certa empolgação com as inúmeras possibilidades da realidade virtual, também compartilham o receio de que a tecnologia possa substituí-los. Para o professor da FIAP, é importante ressaltar que ferramentas da radiologia digital não devem substituir ou sobrepor o olhar humano, mas, sim, auxiliar o profissional: “A realidade virtual ajudará no treinamento e nas simulações, mas nunca substituirá o parecer médico. Em breve, com processos novos como o digital twin [uma representação digital de uma pessoa ou um órgão, por exemplo], teremos novas formas de enxergar problemas e pensar em diferentes caminhos para resolvê-los.”

Antes de implementar

Para tudo começar a funcionar de verdade, na maioria dos centros diagnósticos e hospitais brasileiros, é preciso investimento em infraestrutura. “Com a realidade virtual, a capacidade de processamento dos computadores precisa aumentar — e muito. Atualmente, temos uma nova margem de processamento computacional que permite um realismo e uma precisão em simulações, principalmente as biológicas. Contudo, os computadores utilizados para desenvolver e executar essas aplicações requerem um alto investimento da gestão da medicina diagnóstica”, explica Cavalcanti.

Outro desafio é a conectividade entre diferentes tecnologias já instaladas, como inteligência artificial, modelagem 3D e visão computacional, e os sistemas PACS para que a realidade virtual possa apresentar os resultados esperados. “A tão aguardada tecnologia 5G deve trazer cenários onde toda a necessidade computacional pode ser terceirizada e passada para nuvem, permitindo uma rápida interação com as soluções de realidade virutal”, acredita o professor.

Tecnologias conectadas

Mesmo com a chegada da realidade virtual, a modelagem 3D e inteligência artificial, logicamente, não vão sumir de vez da radiologia digital, segundo o professor da FIAP: “Não há realidade virtual sem a modelagem 3D, já que tudo que vemos no ambiente virtual é modelado em três dimensões. A diferença é que, na RV, é possível fazer a imersão e interagir com o objeto estudado.”

Cavalcanti deixa claro que, apesar de as tecnologias de escaneamento 3D com base em fotogrametria e softwares contarem com inteligência artificial, o papel do profissional de modelagem 3D permanece muito necessário para a construção de softwares de realidade virtual: “Não basta a representação do elemento em 3D, é necessário levar em consideração o que será feito com este modelo e qual será o seu peso quando ele for processado pelos computadores que estarão rodando as aplicações”, finaliza.

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