Gestão em Saúde: como identificar não conformidades estratégicas, táticas e operacionais na instituição

Com ferramentas tecnológicas e a criação de uma sala de situação para análise de falhas em tempo real é possível antever e evitar que os problemas aconteçam e afetem a qualidade do atendimento

Gestão em Saúde: como identificar não conformidades estratégicas, táticas e operacionais na instituição

Identificar e corrigir não conformidades em uma organização de Saúde impacta tanto na gestão em Saúde quanto na qualidade da assistência, promovendo mais segurança para os pacientes e uma administração de excelência para a instituição.  

“Não conformidades significam o não atendimento a um ou mais requisitos de uma norma estabelecida como padrão, que podem ser solicitados, definidos, regulamentados ou, ainda, contratados nos produtos ou nos serviços de Saúde prestados”, esclarece Ana Clemente, CEO do Instituto Educacional Navegação, curadora da Pós-graduação em Gestão de Riscos, Segurança do Paciente e Qualidade Total e professora convidada da Fundação Dom Cabral para o curso de pós-graduação em Gestão de Negócios em Saúde.

 

Ana explica que, atualmente, gestão em Saúde está em busca pela qualidade total dentro da organização e, por isso, mais propensa a adotar modelos de assistência que sejam preventivos e de promoção da saúde. “Nesse sentido, é preciso trabalhar os benefícios da gestão como um todo, tendo clareza do que se pode melhorar no âmbito sistêmico”, resume.  

E se, a princípio, as não conformidades parecem algo negativo e que representam um mau sinal dentro da instituição, a verdade é que, cada vez que é identificada, ela proporciona a correção e consequentemente a união de todos os pontos, levando a alta performance da equipe, trazendo harmonia para o ambiente e excelência nos serviços prestados. Para tanto, o primeiro passo é quantificar e qualificar as não conformidades da organização, que podem ser divididas em três camadas: estratégicas, táticas e operacionais.  

“As não conformidades estratégicas são aquelas relacionadas ao descumprimento da filosofia organizacional, da definição das estratégias e dos indicadores de desempenho”, diz Ana.

Já as táticas são atribuídas aos planos de ação, sempre visando atender às diretrizes estratégicas e corroborar com a equipe operacional, mas considerando o ambiente externo para evitar riscos assistenciais.

“Por fim, as não conformidades operacionais têm como foco o curto prazo e as ações de mitigação dos riscos”, completa a especialista.

A identificação e o registro das não conformidades permitem que a gestão em Saúde estabeleça planos estratégicos de ação para evitar, ou até mesmo, impedir que elas voltem a acontecer ou que novas não conformidades surjam.

“Ao serem registrados, os dados conseguem gerar indicadores que serão analisados quanto à gravidade dos problemas detectados, possíveis causas raízes, prioridades no tratamento, entre outros motivos. Tudo isso servirá para o aprimoramento e a melhoria nos processos internos, de acordo com o contexto organizacional, proporcionando maior qualidade nos serviços, otimizando os custos e gerenciando melhor o tempo das equipes assistenciais”, enumera Ana.

Uma das formas de garantir essa gestão de qualidade é acompanhar ativamente esses dados por meio de uma sala de situação, que vai monitorar e apresentar as falhas e os erros dos processos em tempo real e disponibilizando informações inteligentes para ajudar na tomada de decisão.

“Softwares de gestão em Saúde auxiliam e agilizam os processos de identificação das não conformidades e a avaliação em tempo real, com a ajuda da tecnologia, proporciona maior assertividade na identificação de eventos adversos proporcionando uma rápida equalização aos padrões exigidos pelas normas balizadoras. É por isso que a solução vem sendo cada vez mais utilizada nas organizações”, diz a especialista.

Há também outras ferramentas utilizadas para identificar as não conformidades, como: 

  • Análise de Modo e Efeito de Falhas: quando aplicada ao processo, considera as falhas no planejamento e na execução do processo, baseando-se nas não conformidades do produto/serviço com as especificações do projeto.
  • Diagrama de Pareto: auxilia na estratificação das causas das não conformidades, determinando a prioridade para a resolução do problema.
  • Diagrama de Ishikawa: também conhecido como “Diagrama de Causa e Efeito” ou “Espinha de Peixe”, representa graficamente as possíveis causas e subcausas de um problema a ser estudado.
  • Ciclo PDCA: metodologia muito usada para executar as melhorias provenientes das não conformidades, garantindo assim um ciclo de análises e a preparação de planos de ação mais eficientes.  

O importante é que o gestor invista em sua capacitação em busca de estratégias que melhorem o desempenho e nas quais possa trabalhar a gestão de pessoas.

“A maturidade e a liderança na gestão em Saúde mantêm a equipe motivada, tornando-a cada vez mais autônoma, participativa, engajada e comprometida para minimizar os impactos das não conformidades nos pacientes e nos profissionais de Saúde”, resume Ana.  

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