Como usar RIS e PACS para gerir a alta na demanda por exames

Otimizar o fluxo de laudos, priorizar as emergências e contar com a inteligência artificial para agilizar a realização de exames estão entre as vantagens da integração dos dois sistemas

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A pandemia da Covid-19 sobrecarregou não só hospitais e unidades de p
ronto atendimento em todo o Brasil. Centros de medicina diagnóstica também tiveram que buscar formas eficientes de gerir o aumento na quantidade de laudos solicitados para comprovar a presença do vírus e mesmo a extensão do comprometimento pulmonar, nos casos mais graves. A alta demanda, portanto, não ficou restrita aos exames laboratoriais, afetando também a área de imagiologia. Nesse contexto, o uso integrado de RIS e PACS (Sistema de Informação em Radiologia, ou Radiology Information System, o RIS; e Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens, ou Picture Archiving and Communication System, o PACS) é um caminho para otimizar o fluxo de laudos, apoiando a gestão em cenários de alta demanda como o atual. 

“Enquanto o PACS sozinho faz o arquivamento e a distribuição das imagens, o RIS proporciona o gerenciamento do fluxo de laudos, desde a entrada no sistema, no momento em que é feito o pedido médico, até quando esse pedido chega ao médico radiologista via fila de trabalho para organizar a ordem de laudar, revisar, assinar e finalizar a rotina. Depois, ainda pelo sistema, os laudos são disponibilizados para o portal de exames, onde os pacientes podem acessar o resultado”, descreve Ralph Damázio, gerente de produto de medicina diagnóstica da MV. O especialista explica que, em 99% das vezes, RIS e PACS são contratados juntos para um maior controle das imagens e do fluxo de laudos na instituição.  

Bruno Hochheggercoordenador médico do departamento de imagem na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), cita a agilidade na hora de laudar como o principal resultado da integração dos sistemas para a gestão de medicina diagnóstica: “No PACS eu consigo comparar exames anteriores e novos. E com o RIS, assim que eu termino de assinar o laudo, o resultado aparece disponível para o paciente e em uma linguagem fácil de ser compreendida.  

Em tempos de telemedicina, a integração de RIS e PACS permite que os resultados de exames sejam avaliados pelos médicos clínicos sem que o paciente precise ir até o consultório, além de ajudar a desafogar as emergências, já que um exame de suspeita de Covid-19 entra na frente no fluxo do dia organizado pelo RIS e, assim, o resultado sai em menos de 2 horas.  

Ainda nos exames de imagem da Covid-19, o sistema pode fazer uso da inteligência artificial (IA) para avisar se o risco para a doença é alto, médio ou baixo. A análise é feita a partir das imagens de radiografias ou tomografias de pessoas que reclamam de dificuldade respiratória e apresentam comprometimento nos pulmões. “Essa é uma demanda que vai continuar sendo usada em hospitais de modo padrão para descartar casos de Covid-19 na triagem do pronto-socorro”, acredita Damazio. 

A mesma tecnologia também pode ser aplicada para fazer a análise prévia de um exame de radiografia e tomografia de crânio, por exemplo, e vai ajudar o médico radiologista a priorizar sua lista de trabalho. “Assim, o profissional deixa de fazer uma varredura aleatória e pode começar o exame pelas áreas que a IA detectou como sendo as mais suscetíveis a terem algum problema grave”, explica Damazio, que destaca ainda que nas opções com infraestrutura em cloud, o radiologista tem a opção de laudar remotamente, além de evitar duplicidade de cadastro e erros de digitação, ações fundamentais para garantir a integridade dos dados. 

Bruno Hochhegger aponta outra possibilidade de uso da IA para aumentar a agilidade do médico radiologista: o sistema de reconhecimento de voz, cujo objetivo é diminuir a necessidade de digitadores. “No futuro, a IA será mais precisa ao fazer pré-relatórios para o especialista chegar ao exame com ciência do que e onde deve procurar achados alarmantes”, acredita o médico.  

RIS e PACS integrados, portanto, ampliam a produtividade dos profissionais - o que, na Saúde, significa ganho de tempo para um contato mais próximo e humanizado com o paciente e até, em alguns casos, para salvar vidas.  

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