Hospital de pequeno porte: 4 sinais de ineficiência financeira

Instituições com até 50 leitos somam hoje 67% dos hospitais no Brasil e, para que atinjam uma maior eficiência assistencial e financeira, é preciso que a gestão invista em tecnologia e processos

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A Saúde soma cerca de 6,8 mil hospitais espalhados pelos 5.568 municípios brasileiros. Com números assim, dá até pra imaginar que cada cidade brasileira tenha hoje seu próprio hospital para atender seus residentes - o que, em parte, é verdade. Mas tamanha pulverização, somada ao fato de mais de 67% desses estabelecimentos serem formados por hospitais privados ou filantrópicos de pequeno porte (com até 50 leitos), tem desafiado a gestão hospitalar por uma maior eficiência financeira.  

Uma recente pesquisa conduzida pelas autoras Luciana Reis Carpanez e Ana Maria Malik investigou o efeito da municipalização no sistema hospitalar brasileiro, especialmente dentro do hospital de pequeno porte. E, entre as conclusões a que chegaram, fica claro que “os hospitais brasileiros com menos de 50 leitos têm gerado, segundo a literatura consultada, ineficiências de escala e redução da qualidade, tanto em termos de gestão organizacional quanto de produção de saúde”.  

Para contornar esse cenário, algumas medidas já estão sendo usadas pela gestão hospitalar e, muitas delas contam com o apoio da tecnologia, segundo Moisés Maciel, CEO da Hospidata. “O próprio Ministério da Saúde tem usado um sistema digital para o repasse de recursos federais, que será desdobrado também em níveis estaduais e municipais. Isso significa que os controles que ainda são feitos de forma manual pelos hospitais, ou por meio de uma planilha de Excel, não serão mais suficientes para passar pelos controles de custo e de qualidade das instituições que destinam as verbas para esses hospitais.” O resultado direto é que aqueles que não se atualizarem acabarão tendo um maior número de glosas na hora de apresentar as contas.  

“Os hospitais de pequeno porte necessitam da tecnologia para seu melhor controle financeiro.
A própria digitalização dos governos federal, estadual e municipal para o repasses das verbas da Saúde está dificultando que as instituições que ainda não adotaram o mesmo modelo de gestão revejam os valores que foram investidos nos atendimentos”, Moisés Maciel, Diretor da Unidade Hospidata 

Portanto, o uso de um sistema de gestão, ainda que seja apenas por meio de alguns módulos estratégicos como Recepção, Farmácia e Faturamento, pode ajudar a gestão hospitalar a ser mais eficiente do ponto de vista assistencial e financeiro.  

Para saber se a ineficiência está afetando a sua instituição, conheça os principais sinais e descubra como resolver esses gargalos tanto com ajuda da tecnologia, quanto por meio do monitoramento dos processos: 

1. Grande número de glosas 

Esse é um dos indicativos da ineficiência financeira mais fáceis de se notar, pois as contas não aceitas pelo órgão pagador se acumulam e causam grande impacto no caixa da instituição. “Com o uso de um sistema de gestão, durante o atendimento do paciente no hospital, a tecnologia já critica e aponta potenciais erros que podem estar sendo feitos na conta porque o sistema tem o conhecimento de como o ministério e as secretarias de Saúde exigem que as informações sejam entregues”, explica Maciel, que continua:“isso ajuda a consertar a conta na mesma hora e evita uma glosa futura.  Hospitais que trabalham o faturamento por meio de sistemas de gestão chegam a ter glosa zero em suas operações". 

2. Falta de medicamentos e outros insumos importantes para a assistência 

A farmácia é um dos maiores pontos de fuga de recursos de um hospital. Com a compra errada de medicamentos, ou até pela perda de doses na hora do uso, os insumos acabam antes do planejado e a falta acontece. “Um sistema de Farmácia hospitalar eficiente permite até a dispensação inteligente do medicamento, otimizando o número de doses aplicadas e reduzindo seu custo final”, conta o CEO. Além disso, dentro do sistema há um portal de compras coletivo onde acontecem leilões reversos de medicamentos e outros insumos que garantem o menor preço, independentemente da quantidade encomendada. 

3. Falha na fluidez de informação durante a evolução do paciente no hospital  

O uso do prontuário eletrônico permite ao médico fazer uma evolução multidisciplinar do paciente durante a internação, o que acelera e torna as tomadas de decisão mais assertivas. “Dentro do PEP, toda a equipe assistencial que está atendendo o paciente em questão tem acesso aos seus dados, garantindo que toda informação importante chegue de forma fluida e multidisciplinar”, sinaliza Maciel.  

4. Leitos hospitalares vazios 

A ociosidade também é um sinal de ineficiência financeira que pode ser solucionada pelo uso da tecnologia. “Nós temos um projeto-piloto, em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, para o desenvolvimento de um módulo de ocupação de leitos. A ideia é que o governo saiba onde há leitos ocupados - e para quais doenças - e onde há leitos vazios para fazer a melhor gestão da saúde pública”, diz Maciel. A logística de leitos deve melhorar a oferta e procura por leitos para o uso mais inteligente do recurso e pode virar uma política nacional em breve.  

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