Glosa médica e o descompasso entre receita e fluxo de pagamento no hospital

É grande o número de instituições que buscam alternativas para equilibrar a gestão de faturamento do mês. Nesse sentido, o modelo de negócios de uma fintech da Saúde pode facilitar a operação

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O descompasso entre o fluxo de pagamento e o recebimento sempre foi um grande desafio financeiro à Saúde que, em última instância, tem afetado diretamente o fluxo de caixa, o custeio e os futuros investimentos na melhoria da assistência dos hospitais brasileiros. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) estima que esse período - entre a realização de um serviço e o recebimento por ele - demore, em média, dois meses, gerando um impacto direto na folha de pagamento, nas contas de serviços de consumo e na compra de materiais e insumos hospitalares.

Segundo dados do Observatório da Anahp 2022, o prazo médio para recebimento das operadoras de Saúde é de 68,6 dias

E foi justamente para discutir novas propostas em busca de soluções para o faturamento e o descasamento entre o prazo de recebimento e o vencimento do custeamento das instituições que  gestores da Saúde de diversas instituições nacionais se reuniram em um encontro privado realizado no mês de junho. Durante o meeting “A gente não quer só dinheiro: os problemas na relação entre hospitais e bancos”, realizado em parceria entre Informa Markets e MV, os especialistas elencaram os principais pontos de atenção à gestão hospitalar e descobriram como uma fintech da Saúde pode ajudar a facilitar o adiantamento de recebíveis para financiar a operação. Acompanhe.

Múltiplas fontes pagadoras

Instituições que trabalham com mais de uma operadora de Saúde costumam ter prazos mais flexíveis para o recebimento dos serviços, já que, mesmo com o tempo prolongado, eles não se acumulam em uma mesma data e garantem uma constante entrada de recursos durante o mês. Mas o mesmo não acontece com aquelas que prestam serviços apenas para a Saúde Pública ou para um número pequeno de operadoras, como é o caso nos hospitais de pequeno porte.

Nos últimos tempos, houve uma mudança de calendário de algumas operadoras de Saúde no prazo de entrega das contas médicas, que não podem mais ser liberadas diariamente. Ao contrário, há agora uma concentração em poucos dias do mês, o que deixa o trabalho mais lento.

Outro ponto que pode postergar ainda mais a entrada de recursos financeiros é o alto número de glosas. Segundo o Observatório da Anahp 2022, atualmente o índice de glosa impacta 3,76% da receita líquida dos hospitais. A automatização na gestão de faturamento, no entanto, pode reverter esse custo ao reduzir o número de contas glosadas para quase zero.

Antecipação de recebíveis

A folha de pagamento é outro fator de alerta para a gestão hospitalar. Embora grande parte do corpo clínico hospitalar esteja credenciado à operadora de Saúde e, portanto, receba diretamente dela seus honorários médicos, há casos em que ocorre uma contratação de serviços pelo próprio hospital, seja em modelo CLT ou por PJ, que pode ter remuneração variável ou fixa, especialmente a partir de plantões de sobreaviso.

Relatório Mundial da Saúde, publicado pela OMS, calcula que entre 20% e 40%  de todos os gastos em saúde são atualmente desperdiçados por ineficiência

Durante a pandemia, por exemplo, essa relação com os prestadores de serviços foi diferenciada para muitos dos hospitais brasileiros, e houve um período em que foi preciso financiar o adiantamento de recebíveis das equipes para que a assistência prestada não fosse interrompida. E isso justamente em um momento de queda de receita hospitalar.

Enquanto a gestão em Saúde tenta equilibrar as contas, todos os especialistas que participaram da reunião exclusiva concordam que faltam recursos para que as instituições possam investir mais em melhorias - assistenciais ou técnicas. Esse tipo de incentivo financeiro faz com que o gestor consiga melhorar a sua própria operação, deixando-a mais eficiente e rentável.

Dessa forma, o financiamento em Saúde pode ser mais útil e interessante quando é feito para fomentar melhorias em infraestrutura e capacitação de capital humano do que para custear contas em atraso.

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