A infraestrutura por trás da radiologia híbrida

Mais do que disponibilizar um laptop e o acesso ao sistema para quem está em casa, só com planejamento estratégico a gestão da medicina diagnóstica garante a total segurança do laudo

17124420220607629fb13c03c08.jpeg

O trabalho remoto na radiologia impactou diretamente a gestão da medicina diagnóstica por imagem. Para impedir que a qualificação dos laudos fosse afetada, foi preciso estabelecer novos processos, cujo principal desafio era evitar os erros de comunicação e a falta de treinamento das equipes em um período onde não era permitido o atendimento presencial.    

Mas este ano começará um novo período, no qual o modelo de trabalho híbrido será experimentado. Adaptar-se nele, no entanto, vai muito além de conectar digitalmente o paciente e a assistência: requer uma adaptação de infraestrutura para que o processo ocorra com o mínimo de fricção e altos índices de segurança para o paciente, para o profissional da Saúde e para a instituição.  

“A pandemia acendeu o alerta para a falta de planejamento estratégico na Saúde em relação ao trabalho remoto. E foi apenas a partir dela que hospitais e centros de medicina diagnóstica começaram a fazer avaliações de infraestrutura digital necessária para comportar um modelo híbrido, no qual os profissionais estivessem distribuídos, ora trabalhando em casa, ora na instituição", contextualiza Christiano Berti, diretor da unidade de medicina diagnóstica da MV. 

Agora, a chamada radiologia híbrida se fortalece como uma assistência médica possível no mercado nacional, embora cada instituição ainda esteja traçando suas próprias estratégias para garantir a qualidade no serviço prestado.  

Segundo Berti, mesmo com custos maiores para a adaptação ao trabalho híbrido, o médico radiologista observou nesse modelo uma enorme oportunidade na sua carreira: “Ele pode trabalhar para mais de uma instituição a partir de contratos de trabalho sob demanda e por produtividade.”  

Conheça a seguir o que está por trás de projetos do tipo no segmento de medicina diagnóstica e quais são os principais pontos que precisam ser articulados antes da adoção por esse modelo de trabalho: 

  • Conectividade - Entre as grandes preocupações da gestão da medicina diagnóstica para o trabalho híbrido está a qualidade da internet usada em casa: será boa o suficiente para carregar via PACS as imagens médicas necessárias ao laudo? E se o médico radiologista estiver trabalhando em mais de um sistema ao mesmo tempo, a conectividade será suficientemente estável para não atrapalhar a confecção do laudo e o carregamento das imagens? 

 

  • Segurança dos dados - A qualidade do laudo e a segurança da informação são as duas questões mais debatidas na radiologia híbrida. Com o advento da LGPD, os cuidados foram redobrados, mas as notícias de sequestro de dados sensíveis de Saúde e sua consequente exposição deixou as instituições mais atentas. Com isso, a TI em Saúde teve que aprender e se adaptar ao modelo híbrido desenvolvendo novos recursos de autenticação, como o MFA (multi-factor authentication, ou autenticação multi-fator), com uso de SMS, reconhecimento facial e token, para liberação do acesso ao sistema. 

 

  • Qualidade das imagens (hardware) - Na radiologia os monitores são de alta resolução e com vários níveis de Grey Scale (tonalidades em cinza) que permitem ao médico radiologista observar padrões diferentes para o diagnóstico. Dentro das instituições esses monitores são frequentemente calibrados para garantir a qualidade das imagens, mas estando em casa é preciso que haja um planejamento para garantir esse processo de qualidade.  Outra decisão importante da gestão da medicina diagnóstica é optar por deixar o equipamento na casa do prestador de serviços ou determinar que ele o carregue sempre consigo, nos dias que for para a instituição. “Um ponto de atenção é que toda essa logística encareceu o processo e os hospitais precisaram se adaptar tomando decisões pontuais para cada setor”, enfatiza Berti.

 

  • Sistemas de gestão de imagens (PACS e RIS - software) - Assim como aconteceu com o planejamento dos hardware, em uma camada acima, os softwares também precisaram ser adaptados para a garantia do acesso remoto com a mesma segurança garantida presencialmente. Além, claro, de precisarem de mais licenças para serem instalados em mais máquinas. Um ponto relevante é que, dependendo para quantas instituições o médico radiologista trabalhar, será preciso instalar sistemas de gestão diferentes, com processos distintos. 

 

  • Portal de exames eficiente - Para uma radiologia híbrida realmente eficiente, o acesso a exames anteriores dos pacientes é de extrema relevância. Por isso, poder consultar um portal de exames além de facilitar o acesso à informação, ainda permite ao médico radiologista fazer certas manipulações nas imagens, como dar zoom. E tudo isso podendo ser feito via web ou pelo celular. 

;