3 formas de a tecnologia apoiar a gestão da operadora para o envelhecimento saudável do beneficiário

Mapear, monitorar e acompanhar de perto beneficiários que ultrapassaram os 60 anos ajuda a reduzir a sinistralidade e o número de internações, entregando mais qualidade de vida e diminuindo custos

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O Brasil contabiliza 28 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que corresponde a 13% do total da população e tende a dobrar em poucas décadas, segundo 
dados da Projeção da População divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018. Cresce também a quantidade de familiares que se dedicam aos cuidados do idoso, que muitas vezes sofre de doenças crônicas e precisa ser monitorado de perto. Nesse caso, o salto foi de 3,7 milhões de pessoas em 2016 para 5,1 milhões em 2019. Os números demonstram que o envelhecimento populacional no País acontece rapidamente e atinge muita gente, de maneiras diferentes. E para garantir que o processo ocorra de forma saudável, a gestão da operadora precisa encontrar maneiras de atender o público 60+ focando,  especialmente, na atenção primária e na prevenção de doenças e agravos.  

A tarefa é desafiadora. Afinal, nessa idade o beneficiário tende a utilizar mais o plano de Saúde e o custo para a gestão da operadora aumenta consideravelmente. Outro ponto de atenção é que a maioria das operadoras não segmenta os cuidados nem a rede de atenção por faixa etária. “Atualmente, são poucas as que têm programas de prevenção ou cuidado específico para idosos, mas a partir da pandemia de Covid-19, que demonstrou toda a fragilidade desse público, haverá uma mudança de modelo, com o desenvolvimento de programas como o do Idoso bem cuidado, oferecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar [ANS]. E isso deve ocorrer em breve”, avalia Paulo Marcos Senra Souza, médico mestre e doutorando em saúde coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  

Embora os idosos já se destaquem entre a população, há ainda espaço para as operadoras de Saúde expandirem o número de beneficiários nessa faixa etária. Isso porque cerca de 75% dos clientes da Saúde Suplementar têm seus planos contratados por empresas para atender empregados e dependentes diretos e, portanto, ainda são poucos os beneficiários 60+ nesse grupo, já que os mais velhos acabam sendo desligados na aposentadoria. Mas entre os 25% restantes que contratam planos particulares ou de adesão, já há uma concentração maior de idosos, tanto que modelos dedicados exclusivamente a esse público tendem a alcançar bons resultados.  

Independentemente do tipo de plano contratado, a tecnologia apoia a gestão da operadora no estímulo ao envelhecimento saudável. Com a adoção desde um sistema para operadora até aplicativos de Saúde, chatbots e inteligência artificial (IA), é possível mapear, monitorar e acompanhar de perto os beneficiários que ultrapassaram os 60 anos e, assim, reduzir a sinistralidade e o número de internações. Conheça a seguir três formas de a tecnologia auxiliar nessa estratégia: 

1 - Mapear e agrupar beneficiários 60+ a partir de histórico de saúde e exames básicos 

Trata-se de um trabalho de larga escala, mas, ao mapear essa população e separá-los em grupos a partir de seu histórico e do resultado de exames básicos, é possível desenvolver programas preventivos específicos para controlar diabetes, hipertensão, evitar o tabagismo e moderar o uso de álcool, além de investir em projetos de educação para que adotem uma dieta saudável e realizem exercícios físicos com o intuito de evitar o sedentarismo. 

“Já existem bons exemplos disso no mundo, como o programa Buurtzorg na Holanda, que reduziu muito as internações e visitas de idosos ao pronto-socorro. No Brasil, com o uso de inteligência artificial e uma mudança mental do modelo hospitalocêntrico, que prioriza a recuperação da doença ao invés de sua prevenção, a conquista de mais anos de vida saudável para a população que tiver cuidado adequado será, por fim, alcançada”, acredita Souza, que também é criador da Laços Saúde e foi executivo de operadoras por mais de 40 anos. 

2- Monitorar o idoso de forma contínua 

envelhecimento populacional traz consigo comorbidades e enfermidades que tornam-se crônicas, como grande parte das doenças oncológicas, cardíacas, respiratórias e metabólicas. Por isso, o monitoramento contínuo dos beneficiários já diagnosticados e a criação de programas de prevenção a essas doenças ajudam a evitar internações.  

“Algumas startups estão iniciando projetos neste sentido no País, mas tudo ainda é muito recente. Um bom caminho é adotar o monitoramento contínuo, inclusive no domicílio do idoso, e estimular a educação do beneficiário e da família para o autocuidado”, explica Souza.  

3- Acompanhar o beneficiário periodicamente 

“A realização de check-ups focados no histórico do beneficiário apoia o envelhecimento saudável”, garante Souza. Por isso, a criação de um vínculo com um médico geriatra ou mesmo um médico de família da rede credenciada é um caminho para construir uma relação de confiança que permite, por exemplo, o estímulo à realização de exames preventivos periódicos. 

Nesse sentido, a gestão da operadora pode estruturar um serviço de teleorientação para os beneficiários, além de mantê-los próximos por meio do uso de aplicativos e chatbots.  

Souza destaca ainda que o ideal é combinar as diferentes funcionalidades de cada tecnologia ao planejamento de programas e ações com foco nesse grupo etário. Assim, a gestão da operadora promove ganhos tanto para o beneficiário e sua qualidade de vida quanto para os negócios, por meio da redução de sinistralidade e, consequentemente, de custos. 

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